sábado, 8 de janeiro de 2011

Bianca Rinaldi Protagonista de "Ribeirão do Tempo" no melhor momento de sua vida


publicado em 08/01/2011 às 04h50.
Bianca Rinaldi
Protagonista de "Ribeirão do Tempo" no melhor momento de sua vida

Por Elliana Garcia
eliana.garcia@arcauniversal.com

A paulistana Bianca Rinaldi, de 36 anos, começou no meio artístico há 21 anos. Há 14, decidiu seguir a carreira de atriz. Hoje, contabiliza no currículo nove novelas – sete delas como protagonista –, inúmeras peças de teatro e filmes. Casada há 9 anos com o empresário Eduardo Menga, Bianca realizou há pouco tempo o desejo de ser mãe de gêmeas. Nesta entrevista, a protagonista da novela “Ribeirão do Tempo”, da “Rede Record de Televisão”, conta como alia o papel de mãe e profissional, o seu engajamento em causas sociais e os truques de beleza para estar a cada dia mais bonita.

No momento você está na novela “Ribeirão do Tempo”, fazendo a Arminda, que é uma personagem cheia de nuances. Ela tem alguma similaridade contigo?

Arminda não tem muita similaridade comigo. Ela tem sim coisas que eu gostaria de ter. Por exemplo, eu tenho dificuldade para dizer "não" e dar ordens tão bem como ela faz. Me identifico com ela na determinação e dedicação ao trabalho. E gosto muito da maneira como ela se veste. Ela tem bom gosto.

Você ficou conhecida do grande público fazendo a Isaura, da novela “A Escrava Isaura”. Fale-nos da oportunidade de fazer esse personagem.

A Isaura foi um grande presente. Foi um divisor de águas na minha carreira. Tenho certeza de que qualquer atriz gostaria de fazer a Isaura uma vez. Tive muito reconhecimento, tanto pelo meio artístico como pela imprensa, não só no Brasil como no exterior, pois a novela foi vendida para vários países e, graças a esse personagem, fiquei conhecida em outras partes do mundo.

Cada personagem com um cabelo diferente. Você está loiríssima no momento e com os fios lisos. Como você encara essas mudanças externas na composição das personagens?

Eu não tenho nenhum problema em mudar o meu visual, seja no cabelo seja no figurino. Se faz sentido, por que não? Gosto muito dessas mudanças. A única personagem que fiz com o meu cabelo natural foi a Maria, em “Caminhos do Coração”. Claro que o cabelo que uso atualmente dá trabalho, mas era preciso essa mudança, e o artista se despe de sua vaidade pessoal por conta de um personagem.

Recentemente você se tornou mãe de gêmeas e está linda fisicamente. O que fez e faz para manter a boa forma?

Na gravidez eu engordei apenas 14 quilos, com gêmeas. E quando elas nasceram, perdi de imediato 10 quilos. Sou dedicada à minha ginástica e às minhas dietas próprias. Mas, a felicidade tem muito a ver com toda essa recuperação rápida. Estou vivendo um momento maravilhoso, tanto na vida pessoal como na profissional. E sem falsa modéstia, hoje estou me sentindo muito melhor que antes.

Assim como você, muitas brasileiras tentam conciliar o papel de mãe e profissional. Como lida com isso, ter que deixar as filhas para trabalhar?

Pois é, sinto o que toda mãe sente, independentemente da classe social. Confesso que dói muito ter que deixar as minhas filhas (Sophia e Beatriz, de 1 ano e 8 meses) todos os dias para ir gravar. Fico com o coração apertado. Ainda mais agora que elas estão falando e se expressando muito. Quando digo a elas: "Mamãe vai trabalhar", é um choro só. Aliás, dois choros.

O que mudou na sua vida após ser mãe?

Muita coisa, principalmente a maneira de enxergar a vida e a minha consciência sobre a minha própria família. Um dia desses olhei para as minhas filhas e meu marido e me dei conta disso. Sabe quando cai a ficha e ela te traz uma sensação maravilhosa? "Eu tenho a minha família." Graças a Deus!

Você está sempre engajada em alguma causa social. Quando despertou esse desejo de ajudar o próximo?

Sempre tive essa vontade de ajudar, usando a minha imagem e a minha credibilidade. Agora encontrei uma maneira mais rápida para divulgar movimentos e ações sociais: o Twitter, onde hoje, com o perfil @biancarinaldi, tenho mais de 45 mil seguidores. Através dele, estou divulgando a doação de medula óssea. Acabei me cadastrando e hoje sou doadora. Estou também divulgando essa doença terrível que se chama Mucopolisacaridose, ou MPS. Poucas pessoas sabem do que se trata e esse é o maior problema. As crianças nascem sem uma enzima importantíssima para a sobrevivência e acabam morrendo muito pequenas, além de terem todas as deformações internas e externas. Divulgamos para que o Governo tome consciência dessa doença e libere os remédios para o SUS (Sistema Única de Saúde). Assim, os portadores de MPS terão uma condição melhor de vida. Segundo a medicina, essa doença não tem cura, mas quero formar a maior rede do bem e divulgar essas causas.

Essa aproximação com o público através de redes sociais como o Twitter te ensinou o quê?

Confesso que eu era um pouco resistente com o Twitter, mas percebi que podemos unir muita gente boa e movimentar o País com apenas uma postagem, divulgando, informando e até doando. Criamos uma página no meu site – www.biancarinaldi.com.br/amigos –, que traz uma série de ações sociais que partiram do Twitter. Reciclagem, sustentabilidade, doação de livros, MPS, medula óssea, etc.

Quais os seus planos para depois que acabar a novela?

Ainda não sei quando iremos parar, mas penso que assim que der farei uma viagem, já planejada há algum tempo. E tenho muita coisa para estudar, pois precisei parar com o início de “Ribeirão do Tempo”. Voltar a estudar inglês e fazer teatro são as minhas prioridades. Já no âmbito profissional quero poder continuar o meu caminho, cercada de bons conselheiros e dando um passo de cada vez, para melhorar como atriz. Poder crescer na minha profissão é o meu sonho. O resto será consequência.

Que recado deixa para os leitores do Arca Universal?

Recentemente, assisti a um video de um ser humano extraordinário que se chama Niki Vujicic que está disponível no Youtube. Ele nasceu sem os dois braços e sem as duas pernas, tem 26 anos e já palestrou para mais de 3 milhões de pessoas. Ele está sendo usado por Deus para levar ao mundo várias mensagens importantes. Pense no que você faria se fosse como ele. Ele hoje é uma pessoa de sucesso, profissionalmente e pessoalmente. E sabem por quê? Porque ele nunca desistiu. E é este o meu recado: nunca desista. Vá atrás do que você quer, e se não deu certo na primeira vez, faça de novo, e de novo, e de novo.

Fonte: http://www.arcauniversal.com/entrevistas/noticias/bianca_rinaldi-3343.html

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Renata Sorrah e sua Lady Macbeth, de Shakespeare

Ayrton Vignola/AERenata Sorrah e Gabriel Villela, no estúdio da TV Estadão

Renata Sorrah e sua Lady Macbeth, de Shakespeare
Depois do Rio, ela traz a SP sua malévola personagem e fala sobre a peça ao diretor Gabriel Villela
23 de junho de 2010
Gabriel Villela especial para o 'Estado'

PAULO - "Uma atriz é o que o seu currículo diz", declarou certa vez Cleide Yáconis a Walderez de Barros. Renata Sorrah é uma espécie desta afirmação somada ao talento de Vanessa Redgrave e Judi Dench. E se eu fosse a rainha da Inglaterra a sagraria ‘Dame’ do teatro nacional. Contou-me um dia Maria Siman, produtora do espetáculo Macbeth, que Glória Menezes chamou a atriz carinhosamente assim: "Renata é um passarinho assustado!" Sua Lady Macbeth, nesta versão de Aderbal Freire-Filho, que estreia no Sesc Pinheiros na sexta-feira, para uma curta temporada, é estupenda, original, superlativa. Como Renata é na vida. Ou como a vida é estupenda, original e espetacular com ela.

Gabriel Villela - Você fez Mary Stuart e agora é Lady Macbeth. Duas vezes rainha da Escócia? É bruxaria, destino das grandes atrizes ou coincidência mesmo?

Renata Sorrah - E como são duas histórias próximas, não é? O filho de Mary Stuart foi para quem Shakespeare escreveu Macbeth. Foi um filho que não ligou muito pra mãe dele, meio que a deixou morrer, porque seria rei depois disso. São duas mulheres fortes, devastadoras. Mary é encantadora, Lady Macbeth é assustadora.
Renata Sorrah como Lady Macbeth, na versão de Aderbal Freire Filho. Foto: Divulgação

Villela - Medeia e Nazaré. Sobrou matéria-prima para a sua Lady Macbeth?

Renata - Sobrou, sim. Cada trabalho vai nos engrossando o caldo, mas agora é a vez de Shakespeare, o genial. No começo, pensei: "Meus Deus, como é que eu vou fazer?" Grandes atrizes já fizeram essa Lady. Judi Dench já fez... Outras tantas. Imagina? Mas decidi procurar o que há de humano nessa personagem. Não era possível que ela fosse uma mulher só malévola, fria...

Villela - Como tem sido comum nas montagens do Aderbal, em Macbeth a coxia também está sempre aberta para o público. Neste espetáculo, você fica sentada lá, à vista o tempo inteiro. Muitas vezes, me peguei olhando em sua direção. Você tem noção da potência dramática e do seu carisma no palco?

Renata - Eu me sinto fazendo parte de tudo. Nunca entendi esse jeito antigo de fazer teatro: com os atores conversando no camarim, esperando sua vez de entrar na cena. Adoro ver o Daniel Dantas atuando, observar como ele foi crescendo durante a temporada, perceber a linha de raciocínio do personagem.

Villela - Há uma inteligência manipuladora na atuação de sua personagem. Você vai levando Lady Macbeth como quem leva, nas costas, um tigre dominado.

Renata - A peça tem aquela cena em que ela desmaia. Shakespeare é incrível, ele não explica nada aos atores, não há rubricas, notas de rodapé... Então a gente não sabe por que ela desmaia. Eu, pelo menos, até hoje não sei. E não faz mal. Acho adorável não precisar saber de tudo. E faço do meu jeito: com um acúmulo de sentimentos que eu acho que ela tem.

Villela - A amoralidade de Lady Macbeth, articulando os meios para conquistar um fim - isso hoje não cabe no conjunto de regras do mundo ocidental.

Renata - É verdade. Eu acho que se ela fosse tão fria e má, não teria pedido apoio e força para todos os piores espíritos do mundo: "Venha, engrosse o meu sangue, tire meu sexo, seque meu leite, não quero ser feminina, quero ter todas as qualidades masculinas, coragem, força, não hesitação." E o Macbeth, que é sanguinário e facínora, hesita diante de coisas que ela não hesitaria. Acho isso muito lindo nela.


Houve um tempo em que as mulheres do mundo só podiam dizer três coisas: "Xô, galinha!", "Pra dentro, criança!" e "Sim, senhor!" Mary Stuart bradava: "Eu sou o rei!", na peça que dirigi com Renata Sorrah. Agora, Lady Macbeth surge também convocando forças masculinas. O diretor Aderbal Freire-Filho aproveitou isso muito bem e repassa para a interpretação de Renata o brado trágico, as forças viscerais, e mantém o Macbeth feito por Daniel Dantas mais racional, mais dado à reflexão e à metafísica. São duas interpretações que se completam e que renovam a forma de montar Macbeth. Por meio desses contrastes é que se criam novos parâmetros de entendimento da fábula e de percepção estética do texto shakespeariano. "Por isso é que resulta em um espetáculo vivo, fica uma leitura viva sobre o Macbeth, uma visão concreta, próxima do agora", diz Renata, na continuação de nossa entrevista.

Atriz fala de suas escolhas para ser a rainha de Shakespeare. Foto: Ayrton Vignola/AE

Gabriel Villela - O que você viu e pesquisou para fazer a sua Lady Macbeth?

Renata Sorrah - Nunca vi nenhuma Lady Macbeth no palco, acredita Gabriel? Vi em vídeo a Judi Dench fazendo com Ian McKellen, e vi o filme Trono Manchado de Sangue, do Kurosawa, baseado na peça. Agora, ler eu li muito. O que existe de livro sobre Shakespeare dá para encher dez salas de Redação como esta imensa aqui do Estadão. Cada palavra que cada personagem diz tem um livro inteiro discorrendo sobre ela. Tivemos acesso, por exemplo, a um estudo só sobre as três batidas na porta que ocorrem em determinada cena de Macbeth. Sabe-se muito sobre Shakespeare.

Villela - E, ao mesmo tempo, nada se sabe...

Renata - Realmente. Você só vai saber quando está ali ensaiando, fazendo todas as tentativas, se entregando, sentindo, até chegar o momento em que você tem de fazer as suas escolhas para personagens tão ricos em possibilidades.

Villela - A tradução feita pelo próprio Aderbal e por João Dantas desce feito uma boa cachaça mineira pela garganta de todos os atores. Funciona e é brilhante. Vocês pensam em publicá-la?

Renata - Sim, há a ideia de um livro juntando as duas traduções do Shakespeare que o Aderbal fez e dirigiu recentemente, Hamlet e Macbeth.

Villela - Lady Macbeth manipula as andorinhas, o castelo, o rei, mensageiros, o oxigênio no pulmão do marido. Lida muito bem com forças demoníacas. E ainda enlouquece... Renata, como chegar em casa depois disso e dar um beijo no seu netinho?

Renata - Eu aprendi com o Amir Haddad. Ele me disse: "Quanto maior for sua entrega no palco, mais você consegue sair dele de um jeito verdadeiramente livre, desimpedido." Isso é verdade. Se tudo se resolve bem durante peça, o ator pode ir direto pra casa, não precisa ficar no bar até de madrugada. E, assim, deixo a Lady Macbeth e vou pra casa beijar o Miguel, meu neto. Ele nasceu quando estávamos na fase dos ensaios. E tem uma fala minha que é assim: "Eu arrancava esse nenê do meu peito, com suas gengivas ainda sem dentes, e esmigalhava o seu cérebro." Eu achei que não conseguiria dizer isso, porque meu neto estava pra nascer. Mas hoje vejo que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu não misturo. E sabe do que eu mais gosto nesse ofício? Quando alguém me olha da plateia com aquele olhar de que sabe do que eu estou falando. Aí é que o teatro fica bom...

Villela - Para quem a conhece há tempos, é inevitável fazer uma pergunta. Você tinha um sonho adolescente, que era fazer O Sonho, de Strindberg, que também era a peça predileta de ninguém menos do que Bergman. Pergunto, citando Borges: "Caducaram os sonhos e os tigres?"

Renata - (suspira e depois ri) Não, não sei, mas não penso mais tanto nesse texto como antes. É uma peça muito linda. Nunca me esqueço da cena final de Fanny e Alexander, do Bergman, em que a avó abre um livro para ler para o neto e é a peça de Strindberg. Os deuses, a medicina, o direito, o teatro... está tudo lá. Acho que o que me consola é que eu posso fazer esta peça sempre, quando eu decidir, porque ela não tem aquele problema do limite de idade para a atriz. Adoro lembrar que Sarah Bernhardt, com 100 anos, fazia Joana d’Arc. Ela encarava a plateia e dizia: "Tenho 18 anos." E, pronto, aos 100 ela tinha 18, e como tinha...


Villela - Sei que você se recusou a fazer o papel da esposa, na peça A Cabra do Albee, na montagem do Jô Soares, dizendo: "Não, Jô, não posso fazer uma peça em que perco meu marido para uma cabra!"

Renata (gargalhando) - Mas, Gabriel, já não basta essa situação de traição? Tem de ser por uma cabra?!! Gente, todo mundo adorava esta peça, só eu que não! Fui correndo ver a montagem de Nova York, mas continuei não gostando. Não, não, não.... Não tive vontade de fazer. Eu não entendia a metáfora da cabra, isso não me interessou de jeito nenhum. (risos)

Villela - Glória Menezes, carinhosamente, definiu você como "um passarinho assustado". O que é que a assusta mais, o gato, a gaiola ou o voo?

Renata - (risos) Com certeza, me assusta a gaiola. Não tenho medo dos voos, não...

Villela - Mas e o gato, Renata?

Renata (dando um pulo na cadeira) - Ai, o gato! É mesmo, o gato! Esqueci do gato... (rindo) Ah, mas é a gaiola, mesmo, o que me assusta mais. Acho uma graça essa definição da Glória, mas, pensando bem, essa imagem não corresponde, não, nem comigo nem com a minha vida. Sou delicada, sim, mas não me assusto facilmente. Estou no Brasil, sobrevivendo da melhor maneira possível, fazendo teatro, prosseguindo nas lutas, me jogando, me apaixonando... Não, não sou um passarinho assustado.

Gabriel - Você fez A Gaivota...

Renata - É, já fiz A Gaivota. Chekhov pra mim é um dos maiores, sempre será...

Gabriel - Você continua acompanhando tudo o que acontece de novo no teatro mundial? Houve uma época em que não perdia nada, viajava pra ver novidades, queria conhecer as vanguardas...

Renata - Eu me preocupo muito em não perder essa curiosidade, mas me acomodei um pouco. Preciso fazer mais isso, de novo. Vi agora, no Rio, um grupo maravilhoso de Curitiba, a Cia. Brasileira de Teatro, fazendo uma peça chamada Vida!. Ficamos conversando sobre o dramaturgo Jean-Luc Lagarce, que eles montam muito. Ouvi falar sobre outro francês novo, o Joel Pomerat. E tem esse canadense, Daniel MacIvor, que escreveu In on It. Sempre gostei muito de ir atrás disso. Fiz um norueguês há pouco tempo, o Jon Fosse, Um Dia no Verão, e conversei muito com ele por telefone. Adoro farejar, descobrir.

Villela - Tem acompanhado a nova dramaturgia brasileira?

Renata - Já quis fazer Mario Bortolotto. Uma vez quase fiz um texto novo do Fauzi Arap. Gosto muito também do Newton Moreno.

Villela - Tem visto boas peças no Brasil?

Renata - No Rio, gostei de Otro, do Coletivo Improviso, com direção do Enrique Diaz. E adorei Beth Goulart fazendo Clarice Lispector. É um trabalho fantástico de atriz.

Villela - Renata, produzir nunca mais?

Renata - Claro que sim. É que tive esse convite irrecusável do Daniel Dantas para ser Lady Macbeth. Mas quero voltar a produzir. Adoro essa função. Desde escolher um texto até armar tudo, levantar o espetáculo. Como atriz, acabo de recusar Jocasta. A Companhia dos Atores me convidou, mas eu não quis. Quero agora um texto contemporâneo.

Villela - E cinema? São poucos convites ou é você que recusa muito?

Renata - Fiz mesmo pouco cinema. O teatro e a televisão não permitiam. E também agora é que o cinema brasileiro voltou a esquentar, não é? Tenho feito pequenas participações afetivas em ótimos filmes. São diretores novos muito interessantes. Fiz Nina, com Heitor Dhalia; Árido Movie, com Lírio Ferreira; Madame Satã, com Karim Aïnouz. Tenho gostado

Jornal O Estado de SP

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Teatro Colón reabre em Buenos Aires após três anos de reforma


Salão do Teatro Colón, em Buenos Aires, será reaberto após três anos de reforma.

REUTERS/Enrique Marcarian

BUENOS AIRES (Reuters Life!) - O famoso Teatro Colón, um dos grandes teatros de ópera do mundo, reabriu suas portas na noite desta segunda-feira depois de três anos de restauração do maior tesouro cultural do país.
O Colón foi construído em 1908, segundo os moldes do teatro La Scala de Milão, e tem lugar para 2.700 pessoas. Mundialmente renomado por sua acústica natural, o teatro reabre suas portas no momento em que a Argentina comemora seu bicentenário.

"Recuperamos o ícone cultural de nosso país. Hoje, o Colón está reabrindo com todo o seu esplendor", afirmou o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri.

Mas o brilho da abertura de gala foi prejudicado por questões políticas. A presidente Cristina Kirchner não compareceu ao evento.

A presidente anunciou que não assistiria à reinauguração do Colón após uma disputa recente com o oposicionista Macri, que fez críticas públicas a seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.

Néstor Kirchner e Macri devem estar entre os principais candidatos nas eleições presidenciais previstas para 2011.

As obras de renovação pretendiam restaurar o teatro Colón a sua época de glória. O teatro possui valiosos vitrais franceses e escadarias de mármore rosa italiano.

O Colón, no qual são promovidos espetáculos de ópera e balé, foi aberto no início do século 20, uma época em que a Argentina estava entre os dez países mais ricos do mundo. Desde então, o país vem se esforçando para se recuperar de repetidas crises econômicas.

As reformas incluíram a restauração da fachada do teatro, alguns de seus pisos e lustres originais e instalação de um sistema de ar condicionado natural.

Milhares de pessoas lotaram a frente do teatro antes de sua reabertura para assistir a uma projeção em 3D sobre os principais momentos e apresentações da história do Colón.

(Por Kevin Gray)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Antonio Fagundes fala sobre intimidades

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1187978-7823-ANTONIO+FAGUNDES+FALA+SOBRE+INTIMIDADES,00.html

Aquelas mulheres que só dizem não



Aquelas mulheres que só dizem não
Peça de Neil LaBute, que estreou no Rio, expõe o confronto entre um homem e quatro ex-namoradas cheias de mágoa
Roberta Pennafort

Um homem, quatro mulheres e uma mistureba de sentimentos sufocados ao longo de muitos anos. É o material de Aquelas Mulheres, mais uma peça do norte-americano Neil LaBute trazida para nossos palcos. Some Girl(s) passou pelo West End londrino e pela Broadway, respectivamente com David Schwimmer (o Ross de Friends) e Eric McComarck (o Will de Will & Grace) no papel masculino, e estreou ontem na sala 1 do Teatro Fashion Mall, no Rio, tendo no ator Pedro Brício a figura central. "O personagem é emocionalmente muito interessante, é um cara imaturo, tem algumas obsessões. O texto de LaBute é muito seco, preciso, não é poético. Pode ter uma leitura francamente cômica, mas tem também o lado ácido", explica Brício. A escolha do ator foi de Flávio R. Tambellini, que, como produtor, havia trabalhado com ele no filme A Falta Que nos Move, de Christiane Jatahy.Esta é a primeira direção teatral de Tambellini, produtor de filmes como Terra Estrangeira, Eu Tu Eles e Carandiru e diretor de Bufo & Spallanzani (em maio ele planeja lançar seu terceiro longa, Malu de Bicicleta, adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva). O projeto vem de três anos. "Estava com vontade de dirigir teatro, mas queria uma peça de texto, não de pirotecnia. No texto de LaBute, uma coisa que me chama a atenção é que sempre descubro algo novo, mesmo depois de ler 400 vezes. Minha opção foi fazer com humor, mas pela situação, e não pela atuação", conta Tabellini.A situação é mesmo sui generis: aos 30 e poucos anos, o cara (the guy), um professor e escritor que começa a deslanchar, está prestes a se casar. Decide procurar quatro ex-namoradas e rediscutir a relação. Larissa Maciel (em sua estreia nos palcos do Rio, depois da minissérie Maysa - Quando Fala o Coração) é a namoradinha de colégio, hoje casada, mãe, careta. Paula Braun, com quem ele teve um relacionamento bem sexual, é livre, pós-hippie, curte a vida. Lorena Silva vive uma mulher poderosa, bem-sucedida profissionalmente, que um dia foi sua amante. Luiza Mariani, talvez aquela com quem o cara teve a maior afinidade. Ele abandonou a todos, e agora as convoca a conversar, cada qual em sua cidade, em impessoais quartos de hotel. "São mulheres arquetípicas americanas. Não quis abrasileirar", conta o diretor.Inicialmente cordiais, os encontros acabam marcados por mágoas, contradições, demonstrações de crueldade, mesquinharia, desamor, individualismo exacerbado, dificuldade de se entregar ao outro sem reservas. É o universo de LaBute, que oferece um espelho para a plateia se olhar e se perceber. Sua visão sobre seus contemporâneos é impiedosa, não poupa ninguém.É o que o elenco foi descobrindo ao longo de dois meses de ensaios. Nenhum deles teve oportunidade de assistir a montagens de LaBute no Brasil (como A Gorda, com Fabiana Karla, e Restos, com Antônio Fagundes) - os atores só o conheciam do cinema (Na Companhia dos Homens, A Enfermeira Betty). "A minha personagem é uma mulher no limite, quase explodindo, que acaba tendo reações extremadas", informa Larissa. "LaBute é um tanto cínico para falar de relacionamentos", garante Paula Braun, outra atriz que também estreia em teatro no Rio. Em certo momento, o cara é chamado de "terrorista emocional" por uma das mulheres, o que parece fazer todo sentido ao fim da peça. Aquelas Mulheres fica por nove semanas no Fashion Mall e depois deve seguir para São Paulo.


Serviço


Aquelas Mulheres. 90 min. 16 anos. Teatro Fashion Mall. Estrada da Gávea, 899, São Conrado, (21) 3322-2495. 5.ª a sáb., 21h30; com., 20 h. R$ 60 e R$ 70 (sáb. e dom.). Até 28/2


Jornal O Estado de S. Paulo de 9 de janeiro de 2010 (Há 162 dias sob CENSURA )